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Doença de Descompressão – Parte 3

Por Paulo Franco em Revista de Marinha n.º 979 (Julho e Agosto de 2014)

 

Tendo dedicado as duas primeiras crónicas à definição da Doença de Descompressão (DD), causas, mecanismos de geração, sinais e sintomas pretendo nesta crónica abordar os factores potenciadores da ocorrência desta patologia relacionada com a permanência humana em ambientes de pressão superior à atmosférica.

Como forma de organização vou dividir estes factores em fisiológicos, ambientais e de conduta ou procedimento.

Como factores fisiológicos que aumentam a possibilidade de ocorrência de DD surgem, destacados, a obesidade/excesso de peso, desidratação, hábitos tabágicos e má condição física. Sabemos que é a eficácia do nosso sistema cardiovascular que garante a melhor ou pior capacidade do nosso corpo de libertar o Azoto absorvido durante o mergulho, nomeadamente no que diz respeito à vascularização e superfície pulmonar/alveolar que garantam uma adequada saída do azoto dissolvido no sangue através do filtro pulmonar. Naturalmente que uma má condição física e hábitos tabágicos estão associados a deficiências em ambos os campos. Se associarmos a esses factores níveis elevados de tecido adiposo, situação espectável nos casos de excesso de peso, este risco vem ainda reforçado por este tipo específico de tecido ser um dos mais “lentos” do corpo humano (significa que tem maior dificuldade em absorver e libertar o Azoto) temos um aumento considerável dos riscos de ocorrência de DD. A desidratação, condição normalmente transitória, está frequentemente associada a uma deficiente ingestão de líquidos em relação às necessidades circunstanciais ou ao abuso de bebidas alcoólicas, e tem como consequência o aumento da viscosidade do sangue, o que diminui a sua eficácia como ferramenta primária no processo de dessaturação tecidular.

Atualmente existe uma vasta gama e variedade de computadores disponíveis, adaptando-se a todos os tipos de mergulhos, do recreativo ao técnico mais radicalAtualmente existe uma vasta gama e variedade de computadores disponíveis, adaptando-se a todos os tipos de mergulhos, do recreativo ao técnico mais radical

Fig. 1 - Representação esquemática de um Perfil de Mergulho Tipo “Invertido” e  Tipo “Serra”ou “Yo-Yo”. (Fonte: Esquema do autor)

O factor ambiental mais importante no aumento da probabilidade de ocorrência de DD é sem dúvida o frio. A vasoconstrição associada à diminuição da temperatura corporal é um mecanismo de protecção fisiológica que visa uma melhor conservação do calor nas áreas vitais do nosso corpo mas, naturalmente, tem associada uma irrigação mais deficitária de outras regiões, nomeadamente das extremidades, processo que vai consequentemente diminuir a eficácia dos processos de eliminação do Azoto dos tecidos.

A maioria das ocorrência de DD está relacionado com má conduta e/ou procedimentos por parte dos mergulhadores. Naturalmente que o mais importante será respeitar os limites de permanência a determinada profundidade e/ou cumprir quaisquer obrigações descompressivas associadas ao perfil de mergulho efectuado e, se possível, dar alguma margem de segurança em relação a estes limites. Um cuidado por vezes subvalorizado é a velocidade de subida. Este factor é determinante para diminuir a possibilidade de ocorrência de DD e é facilmente compreendido se se entender que qualquer mergulho, mesmo sem paragens de descompressão obrigatórias, é descompressivo e que as obrigações de descompressão têm de ser cumpridas durante a subida garantindo que esta demora o tempo necessário. A velocidade de subida máxima actualmente utilizada para mergulho recreativo é 9/10 m/minuto. Os perfis de mergulho “invertido” e tipo “serra”/“Yo-Yo” são também potenciadores da ocorrência de DD nos mergulhadores. Um bom princípio é fazer sempre uma paragem de segurança (estamos a falar de mergulhos não descompressivos) a uma profundidade de 5 metros com uma duração de 3 a 5 minutos, aumentando desta forma a margem de segurança em relação aos limites sem descompressão estabelecidos.

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Fig. 2 - Uma boa condição física geral e uma vida regrada e sem hábitos tabágicos e são uma excelente forma de reduzir a probabilidade de ocorrência de DD e de disfrutar em pleno das actividades de mergulho. (Fonte: http://www.divechat.com/2012/03/14/hows-your-diving-health/)

Naturalmente que esta abordagem dos factores potenciadores da ocorrência de DD deixa muito por dizer mas, no âmbito desta crónica, pretende-se chamar a atenção para os cuidados a ter por parte de todos os mergulhadores em relação à promoção de um estilo de vida saudável e ao respeito escrupuloso das regras associadas ao correcto planeamento e cumprimento dos princípios de segurança e boa conduta durante as imersões.

Dito isto, fica reservado para a nosso crónica final acerca da DD a abordagem e gestão do acidentado de DD.

 

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