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Mergulho no Inverno

Por Paulo Franco em Revista de Marinha n.º 981 (Novembro e Dezembro de 2014)

 

Deparo-me frequentemente com o preconceito (sem nenhuma conotação negativa) de que o mergulho é uma actividade de Verão. Percebe-se a natural associação do mar à praia, ao calor e às tradicionais actividades de veraneio mas no caso do mergulho recreativo em Portugal esta ligação não poderia estar mais longe da realidade. O fim do Outono e o Inverno são de facto a melhor época do ano para se mergulhar na nossa costa!

Certamente que nesse período não podemos mergulhar quando queremos mas sim quando “Ele” deixa mas, quando deixa, deparamo-nos com as melhores visibilidades que se registam nas nossas águas costeiras, afectadas na Primavera e Verão pela grande concentração de fitoplâncton, associado ao aumento da exposição solar e consequentemente dos fenómenos fotossintéticos.

Atualmente existe uma vasta gama e variedade de computadores disponíveis, adaptando-se a todos os tipos de mergulhos, do recreativo ao técnico mais radical

Fig. 1 - Dezembro. Peixe-lua na costa de Sesimbra. (Fonte: Foto do autor)

Há diversas espécies que surgem com mais frequência no período de Inverno, como é o caso das lulas e peixes-lua. Mesmo as espécies habitualmente mais comuns como é o caso de sargos, douradas, robalos, salemas, etc. são vistas nestes períodos a profundidades menores e em maior concentração. Naturalmente estes fenómenos têm também relação com a diminuição da pressão humana na área costeira durante o período mais frio do ano.

O frio é certamente um dos argumentos mais forte contra o mergulho no inverno. Se analisarmos as temperaras habituais abaixo da camada superficial verificamos que a variação é de apenas 2 ou 3o C ao longo do ano. Assim sendo, a preocupação fica restrita à superfície, nada que não se resolva com um bom gorro e um copo de chá quente!

Atualmente existe uma vasta gama e variedade de computadores disponíveis, adaptando-se a todos os tipos de mergulhos, do recreativo ao técnico mais radical

Fig. 2 - Dezembro. Cardume de Sargos e Salemas na costa de Sesimbra. (Fonte: Foto do Autor)

Outra característica dos nossos fundos é parte da flora ser sazonal, florescendo na Primavera e Verão e desaparecendo na sua maioria no Outono e Inverno. Este fenómeno não é de modo nenhum uma desvantagem, dando ao mesmo local diferentes características estéticas, morfológicas e de comportamento dos seres vivos que compõem o ecossistema, o que torna enriquecedora a experiência de praticar o mergulho em diversas épocas do ano.

Fica assim o desafio para os muitos mergulhadores portugueses de “água quente”, aceitem o repto de vestir um fato mais grosso e por um gorro e vão ver que vai valer a pena. O nosso mar é maravilhoso em qualquer época do ano mas, se me pedirem opinião, eu prefiro no Inverno.

Atualmente existe uma vasta gama e variedade de computadores disponíveis, adaptando-se a todos os tipos de mergulhos, do recreativo ao técnico mais radical

Fig. 3 - Dezembro. Golfinhos comuns na baia de Sesimbra. (Fonte: Foto do Autor)

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