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Reguladores de Mergulho - Introdução

Por Paulo Franco em Revista de Marinha n.º 971 (Março e Abril de 2013)

 

Quando recordamos Jacques Ives Cousteau muitas vezes associamos este mítico mergulhador às suas inúmeras e mediáticas aventuras subaquáticas esquecendo a sua contribuição, em conjunto com o engenheiro Émile Gagnan, no desenvolvimento do actual conceito de regulador de mergulho, uma das peças mais importantes e centrais do equipamento de mergulho autónomo.

Mas afinal qual é a função do regulador de mergulho e como é que funciona?

Atualmente existe uma vasta gama e variedade de computadores disponíveis, adaptando-se a todos os tipos de mergulhos, do recreativo ao técnico mais radical

Fig. 1 - Exemplo de um primeiro andar de piston compensado, mangueira e segundo andar Downstream compensado. (Fonte: Scubapro (http://www.scubapro.com))

Sabemos que, não dispondo nós de guelras (para muita pena dos mais aficionados), temos de transportar a nossa reserva de gás respirável para debaixo de água em “recipientes” metálicos, vulgarmente conhecidos como garrafas de mergulho. Para garantir uma quantidade de gás aceitável para os nossos propósitos estes “recipientes” são carregados a pressões que variam entre os 200 e os 300 bar, dependendo das suas características. Ora bem, respirar um gás a estas pressões seria, no mínimo, muito desconfortável e inconveniente não houvesse algum mecanismo que, intercalado entre a garrafa e a boca do mergulhador, permitisse aceder à reserva de gás de forma confortável e progressiva, com a capacidade de responder às variações pessoais e exigências de cada momento do mergulho. Este equipamento é o regulador de mergulho!

Genericamente todos os reguladores de mergulho modernos são compostos por três componentes fundamentais: o primeiro andar, a mangueira e o segundo andar.

Computador Orca Edge. Lançado em 1983

Fig. 2 - Exemplo de um primeiro andar de membrana compensado e segundo andar de válvula piloto servo assistida. (Fonte: Poseidon (http://www.poseidon.com))

O primeiro andar é o componente que fica ligado á válvula da garrafa. Tem como principal função reduzir a alta pressão no interior da garrafa para uma pressão intermédia (PI), que varia na maioria dos reguladores entre 8 e 13 bar acima da pressão ambiente. É composto por uma câmara de alta pressão e uma de baixa pressão (pressão intermédia) e pode ser de dois tipos, piston ou membrana, conforme o seu princípio de funcionamento (abordaremos a diferença entre ambos numa próxima crónica de mergulho da RM), podendo dentro destas categorias ainda ser classificados de compensado ou não compensado. Todos os primeiros andares são sistemas “sensíveis” à pressão ambiente debitando sempre, os ditos 8 a 13 bar conforme o modelo, acima da pressão a que se encontra o mergulhador (por exemplo, num regulador que funcione com uma PI de 9 bar, a 20 metros, o primeiro andar mantém uma PI de 11 bar). Os primeiros andares são fabricados, na maioria dos casos, em latão existindo também modelos em titânio.

A mangueira é o elemento de ligação entre o primeiro e o segundo andar do regulador. É normalmente feita de borracha (mais comum) existindo também versões modernas feitas em poliéster. Encontram-se em diversos comprimentos e cores que podem ser aplicadas em função da configuração do sistema de mergulho e das preferências estéticas do utilizador.

Computador de mergulho para utilização de misturas binárias (NITROX) e ternárias (TRIMIX), com equipamentos de  circuito aberto, fechado e semi-fechado

Fig. 3 - Detalhe de segundo andar de regulador e mangueira em utilização em mergulho. (Foto do Autor)

O segundo andar do regulador é o componente que fica na boca do mergulhador. A sua principal função é reduzir a PI que chega do primeiro andar através da mangueira, para uma pressão próxima da ambiente, permitindo ao mergulhador aceder confortavelmente ao gás que se provém da garrafa. É um sistema que funciona “a pedido” o que significa que o fornecimento de gás acontece aquando da inspiração do utilizador, parando durante o período de expiração. É estruturalmente composto por uma câmara molhada e uma câmara seca, divididas por uma membrana. Alojada na camara seca está a válvula que, actuando por acção da subpressão causada pelo processo de inspiração abre, fornecendo gás ao mergulhador. Também os segundos andares podem ser compensados ou não compensados, com sistemas Downstream (mais comum) ou recorrendo a válvulas piloto servo assistidas. Hoje em dia, na maioria dos casos são concebidos para aproveitar o efeito Venturi para reduzir o esforço respiratório do utilizador. São normalmente fabricados em materiais plásticos ou compósitos podendo incorporar alguns componentes metálicos (para além dos constituintes da válvula).

Descrita que está a função de um regulador de mergulho, os seus principais componentes e quais as suas funções, continuaremos nas próximas crónicas a aprofundar um pouco mais o seu funcionamento e as características associadas a cada um dos tipos disponíveis, procurando esclarecer algumas dúvidas frequentes no que se refere ao modo de funcionamento das diversas variantes de primeiros e segundos andares, suas vantagens e inconvenientes.

 

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